Sunday, September 24, 2006
Lágrimas no hospital - Capítulo 26

Jeitosinha entregou ao pai uma caneta e um pedaço de papel.

- Assine esta folha em branco...

- M-mas... Filha... Você sabe que eu não tenho nenhuma posse...

- Apenas assine!

Meio vacilante, Ambrósio escreveu seu nome no papel.

- Pronto. Estou livre agora?

- Sim... - disse a moça, sorrindo sarcasticamente - Tenha bons sonhos...

Jeitosinha foi para seu quarto e esperou pacientemente que todos voltassem para casa. A mãe, que sempre se envolvia nas atividades da Igreja, voltou de uma novena. Os irmãos foram chegando, um a um, se amontoando em volta da TV, como sempre faziam. Normalmente Arlindo, mais arredio, preferia ficar lendo em algum canto da casa, até que todos se recolhessem. Era a hora em que finalmente tinha a sala só para ele, e ficava zapeando os canais de TV.

No silêncio da madrugada, Jeitosinha aproximou-se de Arlindo, vestida como uma Diva do cinema. O longo vestido negro, que exibia seus ombros e expunha parte dos seios... a abertura lateral, por onde podia-se ver furtivamente a longa extensão de sua perna esquerda... O par de luvas cobrindo os braços até além do cotovelo... Tudo remetia a inesquecível Gilda.

Arlindo surpreendeu-se com a maturidade da beleza da irmã, que trazia num copo uma dose de uísque on the rocks.

- Sabe, irmão, às vezes a felicidade chega até nós por caminhos estranhos...

- O que você quer dizer? - espantou-se.

- Quero dizer que encontrei meu verdadeiro eu no bordel de Madame Mary. E devo isso a você.

Jeitosinha sorveu um gole generoso de uísque e ofereceu o copo ao irmão.

- Beba comigo. Vamos selar com esta dose de uísque a paz entre nós.

Arlindo pegou o copo com desconfiança. Mas a irmã acabara de provar da bebida, descartando a possibilidade de que ela estivesse envenenada. Nervoso, ele bebeu todo o líquido do copo, devolvendo-o à loira.

Jeitosinha pegou uma pedra de gelo e passou provocativamente no pescoço e nos seios. Depois, debruçou-se sobre Arlindo, alisou sua coxa direita e, tocando os lábios em seu ouvido esquerdo murmurou:

- Amanhã, irmão querido, todos nós começaremos uma vida nova...

A loira disse esta frase enigmática e se retirou. O cruel Arlindo chegou a pensar que sua irmã estava tão desequilibrada quanto o pai. Mas logo voltou a entreter-se com um filme barato de TV, antes de mergulhar em um sono profundo.

No hospital público, Adenaíra abria os olhos:

- T-thiago... Pensei que tinha sido um sonho.

- Estou aqui. Estou te esperando... - A frase brotou sem nenhuma convicção.

- M-me esperando? - Perguntou a nova irmã de Jeitosinha.

- Sim. Você precisa lutar. Precisa superar esta doença. Vou estar ao seu lado.

- Oh, Thiago! Você vai me dar uma chance?

- O tempo dirá. Por enquanto, prometo-lhe apenas minha atenção e minha amizade.

- Você não sabe como este simples fio de esperança me deixa feliz! - Disse a moça, já com uma certa luz no rosto pálido pela febre.

Na manhã seguinte, Arlindo acordou no mesmo sofá onde bebera com Jeitosinha. Mas estava cercado por policiais e algemado. No comando da operação, a detetive Vanessa dirigiu-se a ele, mostrando no semblante a realização pelo dever cumprido.

- Você está preso.

- M-mas... Eu não fiz nada! - Espantou-se o rapaz - Qual a acusação?

- Assassinato!

Não! - O grito de Arlindo ecoou pela sala. . .

Quem morreu? Você tem até amanhã para juntar as peças e entender o plano de Jeitosinha! Não perca o próximo capítulo!




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