Deputado traído mete a faca em delegado da Polícia Federal
Para celebrar ao melhor estilo baré mais um 8 de Março, a comemoração
mundial da Condição Internacional Feminina, o deputado estadual
Francisco Balieiro, líder do PMDB e vice-líder do governo, resolveu
amanhecer no apartamento de sua ex-mulher, a nutricionista Geiza
Teixeira Rocha, e aplicar-lhe a tradicional calça arreada, aquela
chegada de surpresa com o firme propósito de pegar a dita cuja no
flagrante moral. Trata-se de um expediente dos mais deploráveis e
freqüentes nas relações amorosas e ninguém, em sã consciência, poderá
dizer que dessa água poluída não venha um dia a beber ou ter bebido. Só
que o parlamentar, ao adentrar a alcova de sua ex-companheira, deu de
cara com um delegado da Polícia Federal, Domingos Sávio Pinzon
Rodrigues, um mancebo de 29 anos, descendente de espanhóis, que ainda
dormia no leito que um dia repartira com a nutricionista. Aí é demais,
seo Chiquinho, pra cabeça ticuna aculturada pelo machismo
greco-cristão!
Calça arreada provoca conflito institucional
O parlamentar traído alega que a calça arreada serviria de motivo para
pedir ao juiz que suspendesse a pensão de R$ 5 mil que repassa à
ex-patroa. O amante tentou reagir e recebeu sopapos, safanões e
pontapés de Balieiro endiabrado (o capiroto também usa chifre) e seu
assessor, Xavier de Alencar usou um cabo de computador para surrar o
delegado. Ambos preso na manhã da última quarta-feira por agentes da
Polícia Federal. Balieiro, que negou ter esfaqueado o amante da
ex-mulher, denunciou tortura e abuso de autoridade por parte da Federal
e disse ser vítima de uma armação corporativista dos agentes. A
confusão se instalou e apresentou capítulos sensacionais. Policiais
corporativos e deputados solidários, mobilizados pelo desvario
passional, vão protagonizar sensação e suspense no drama cotidiano da
Província de Ajuricaba. Fazer o quê?
Golpes nas nádegas
No acerto final das contas, o delegado da Polícia Federal sofreu
ferimento nas nádegas e na coxa, segundo laudo do Instituto Médico
Legal, que aponta para golpes feitos por faca. O que leva a supor que
ele tentou escapar do confronto ou feriu-se sozinho, pois é
inimaginável numa luta corporal alguém ferir-se nos glúteos. Ninguém
oferece os costados num confronto que não seja de sodomia
sado-masoquista. O fato é que os agentes da PF, informados pelo dito
cujo, abriram mão dos expedientes legais para aplicação da Lei e
combate à criminalidade e invadiram a residência do deputado de forma
arbitrária e violenta, no velho padrão truculento “L’etat c’est Moi’!
Ticuna ortodoxo
À parte a sensação escrota de abandono que o ser humano raramente
consegue gerenciar, parece que desesperou o deputado o fato de pagar no
seu entendimento uma fortuna todo mês para um relacionamento que
acabou, onde não houve procriação e a outra parte tem plenas condições
de saúde, além de emprego, para tocar sua vida. Alem do mais a
favorecida já iniciou uma relação estável onde começa a troca, a ajuda
mútua e o companheirismo. Para um ticuna ortodoxo - que no fundo todos
os homens são um pouco - é demais aceitar que um delegado “estrangeiro”
venha se refestelar com a ex-esposa, vire o galo do terreiro e a mulher
ainda receba uma "grana preta" por isso. Aí o caboco perdeu o tino e
não sabe o que dizer lá na tribo.
Cornitude e desvario na Assembléia Legislativa (JK)
No depoimento da ex-companheira do parlamentar, Geiza Teixeira Rocha,
que ainda não completou 30 anos, a versão de que Balieiro queria provar
seu relacionamento com o delegado para deixar de pagar pensão a ela,
não era a razão principal. Ela afirmou categoricamente que o deputado a
perseguia, tentando reconciliação. E aí a coisa ganha dimensões
emocionais de cornitude, um sentimento rasteiro e incontrolável que
leva o dito cujo ao desvario. A gozação corre solta no plenário em cima
de Baleeiro “Olha a faca Sapaio!” – alusão a traição da personagem de
Letícia Sabatell com JK na minisérie da Globo.
No câncer e no chifre
É impressionante analisar a distância as razões objetivas que levam à
solidariedade entre os machos. Se em Minas ela se dá através da doença
– o bom mineiro só é solidário no câncer, segundo os capixabas - no
Amazonas ela se manifesta no chifre, tanto por parte de quem aplica
como de quem os recebe. É delicioso, pelo decadente código machista,
quando um membro do Clube dos Ricardões agasalha a presa de um figurão.
A prisão do deputado mobilizou boa parte dos deputados estaduais até a
sede da Superintendência da PF e ao 8º. Distrito Policial, que ali
estiveram para prestar solidariedade ao colega. Um pouco antes, os
companheiros federais fizeram barbaridades com o deputado e o assessor
porque o Ricardão foi ferido nas nádegas ao consumar suas presepadas
morais.
Truculência dos tiras da Federal
O deputado foi preso por volta das 8h, logo após a chegada do Romeu
federal na sede da PF. Incontinente, os agentes foram à residência do
parlamentar no conjunto Coophasa, Zona Oeste e, truculentos, foram
entrando de qualquer jeito, sem mandato nem tocar na campainha. Detido,
mas sem algemas, que foram retiradas a pedido dos deputados, Balieiro
foi encaminhado ao 8º. DP. E já está consignado que Baleeiro e o
assessor responderão por lesão corporal grave e perigo de morte.
Balieiro foi liberado. Ele está sob custódia da ALE e seu assessor está
preso no 8º DP.
A versão federal do arranca-chifre
A versão dada pelo superintendente da Polícia Federal, Kércio Silva
Pinto, em nome do delegado Domingos Sávio, para o delegado Mariolino
Brito, nosso querido delegado Peixoto, conta que Balieiro e seu
assessor invadiram o apartamento de Geiza Teixeira Rocha, onde ele
dormia, para matá-lo. O delegado teria assegurado que Balieiro o
esfaqueou. Além de uma faca, Domingos também disse que foi chicoteado
com um cabo de computador (pasmem!) pela dupla. Ora, se a intenção era
matá-lo por que não o fizeram já que eram dois contra um. O ferimento
nas nádegas mostra que ele deu as costas, portanto ficaria mais fácil,
meu caro Watson. E se havia essa intenção de homicídio por que portar
uma faca e não um instrumento mais eficaz como revólver ou outro
artefato mais eficiente. Tudo indica que o propósito era dar uma susto
e efetivamente fotografar Geiza e seu namorado para provar à Justiça
que ela tinha um relacionamento estável e assim não ser mais obrigado a
pagar uma pensão alimentícia de R$ 5 mil. Balieiro disse que o delegado
se cortou no vidro de uma porta ao tentar arrombá-la para fugir. Cada
cachola uma sentença, mana!
Casa de ferreiro, espeto de pica
O curioso dessa estória é que a ex-mulher tem um cargo de chefe de
gabinete do deputado Francisco Baleeiro, e que recebe R$ 5 mil mensais,
justo ele que é autor de um projeto de eliminação do nepotismo no
âmbito do poder legislativo. Pra se defender, o parlamentar alega que
já havia a exonerado e que aguardava os 120 dias regulamentares para
afastar servidor. Disse também que o trabalho dela era fora da
Assembléia. O fato é que para o cidadão das ruas é triste ver que a
segurança institucional, a representatividade política, zelo pela
cidadania se esgota no leito do desfrute e das traquinagens que opõem
um delegado e um deputado querendo gozar e ser feliz. Presta atenção,
meu irmão!!!
O POVO QUER SABER?
•Por quê o delegado não imobilizou e prendeu o deputado? (Policiais são treinados para prender meliantes)
•Por quê não usou sua pistola 9 milimetros contra a faca de ticar jaraqui usada por Baliero?
•Por quê o delegado usou capuz quando se apresentou? |